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É comum a ideia de que o sangue “desce” pelas veias. No entanto, especialmente nos membros inferiores, a circulação venosa ocorre no sentido oposto: o sangue precisa retornar das pernas ao coração, vencendo a força da gravidade. Para que isso seja possível, o organismo conta com mecanismos anatômicos específicos e altamente eficientes.
O retorno venoso é o processo responsável por conduzir o sangue de volta ao coração após a oxigenação dos tecidos. Nas pernas, esse trajeto exige um sistema de suporte composto principalmente pelas válvulas venosas e pela ação da musculatura dos membros inferiores.
As válvulas das veias atuam como estruturas de contenção, permitindo que o sangue siga em direção ao coração e impedindo seu refluxo. Quando essas válvulas estão íntegras, o fluxo ocorre de forma ordenada, evitando o acúmulo de sangue nas veias.
A contração dos músculos da panturrilha exerce papel fundamental no retorno venoso. Durante a caminhada ou movimentação das pernas, a musculatura comprime as veias profundas, impulsionando o sangue para cima. Por esse motivo, a panturrilha é frequentemente descrita como o “coração periférico” da circulação venosa.
A redução da atividade muscular, seja por sedentarismo, longos períodos em pé ou sentado, compromete esse mecanismo e dificulta o retorno do sangue ao coração.
A falha das válvulas venosas ou a diminuição da eficiência da bomba muscular leva ao aumento da pressão dentro das veias. Esse processo favorece o refluxo venoso e o acúmulo de sangue nos membros inferiores, resultando em sintomas como sensação de peso, inchaço, desconforto e cansaço nas pernas.
Com a progressão do quadro, podem surgir varizes e sinais de insuficiência venosa crônica, condição que pode evoluir para alterações cutâneas e edema persistente se não tratada adequadamente.
Compreender o funcionamento da circulação venosa permite identificar precocemente alterações do sistema venoso e adotar medidas preventivas ou terapêuticas no momento adequado. A avaliação por um cirurgião vascular é fundamental para o diagnóstico correto e para a definição da melhor estratégia de tratamento, sempre de forma individualizada.
Dr. Gustavo Prade
Cirurgião Vascular
CRM/RS 32862
RQE 32862 | 29606 | 39151
